Depois de onze anos olhando dentro da boca de pessoas todos os dias, existe uma coisa que me impressiona e que quase nenhum paciente percebe sozinho: a gengiva sangra, dói às vezes, fica inchada — e a pessoa aprende a conviver com isso como se fosse normal. Como se o corpo estivesse dizendo algo em voz alta e a gente simplesmente abaixasse o volume. Essa normalização silenciosa é um dos maiores inimigos da saúde bucal que conheço.
Preciso dizer isso com toda a clareza que tenho: gengiva saudável não sangra. Nem ao escovar, nem ao usar fio dental, nem quando você morde uma maçã. O sangramento é um sinal de inflamação ativa — e inflamação ativa significa que há bactérias organizadas em colônias dentro do sulco gengival, trabalhando contra você.
A periodontia é a especialidade odontológica que cuida exatamente disso: das estruturas que sustentam os dentes. Não estamos falando apenas da gengiva que você vê. Estamos falando do ligamento periodontal, do cemento radicular e do osso alveolar — toda uma arquitetura invisível que, quando comprometida, pode levar à perda do dente mesmo que ele esteja completamente intacto, sem uma única cárie.
Essa é uma das coisas que mais surpreende os pacientes quando explico: você pode ter um dente perfeito por fora e perdê-lo por causa do que acontece embaixo da gengiva.
A doença periodontal se manifesta em dois estágios principais. O primeiro é a gengivite — inflamação restrita à gengiva, ainda reversível com tratamento adequado e higiene correta. O segundo é a periodontite — quando a infecção avança para as estruturas mais profundas, criando bolsas periodontais, destruindo o osso de suporte e comprometendo a estabilidade dos dentes.
O problema é que a periodontite costuma ser silenciosa por muito tempo. Diferente de uma dor de dente aguda que obriga a pessoa a correr para o consultório, a destruição periodontal acontece de forma lenta, progressiva e, muitas vezes, sem dor. Quando o paciente finalmente sente algo — mobilidade dentária, sensibilidade na raiz, a gengiva que “desceu” — já existe uma perda óssea significativa instalada.
Por isso o diagnóstico precoce é tão importante. E por isso peço radiografias panorâmicas e periapicais com regularidade: porque o que o olho clínico não enxerga, a imagem revela.
Nos últimos anos, a ciência acumulou evidências robustas sobre algo que os periodontistas já desconfiavam há décadas: a saúde da gengiva influencia diretamente a saúde do restante do corpo.
As bactérias periodontais têm acesso direto à corrente sanguínea através do tecido gengival inflamado. Esse acesso constante está associado a um risco aumentado de doenças cardiovasculares, dificuldade no controle glicêmico em diabéticos, partos prematuros em gestantes e até comprometimento cognitivo em estudos mais recentes.
Quando atendo um paciente com diabetes aqui em Boituva, uma das primeiras conversas que tenho é sobre periodontia. Não porque quero impressioná-lo com conhecimento técnico, mas porque a relação é real e bidirecional: o diabetes aumenta a susceptibilidade à doença periodontal, e a periodontite não tratada dificulta o controle da glicemia. Os dois problemas se alimentam.
Entender isso muda a forma como o paciente enxerga o tratamento periodontal. Não é uma limpeza profunda de rotina. É um cuidado sistêmico.
O tratamento periodontal começa, obrigatoriamente, por um diagnóstico preciso. Na Felicity Odontologia Especializada, utilizo a sondagem periodontal — um instrumento milimetrado que mede a profundidade das bolsas ao redor de cada dente — combinada com exames de imagem para avaliar o nível ósseo real.
Esse mapeamento é fundamental. Não existe tratamento periodontal sério que pule essa etapa.
A partir daí, o protocolo mais comum para casos de periodontite moderada a severa é a raspagem e aplainamento radicular, também chamada de RAR. O procedimento consiste na remoção do biofilme bacteriano e do cálculo depositados abaixo da gengiva, nas superfícies da raiz dentária. É feito com anestesia local, de forma confortável, e pode ser dividido em sessões por quadrante ou por arcada, dependendo do caso.
Em casos mais avançados, quando existem bolsas profundas ou defeitos ósseos que não respondem à raspagem convencional, o acesso cirúrgico periodontal pode ser necessário. Nesses procedimentos, é possível também realizar enxertos ósseos ou de tecido conjuntivo para recuperar estrutura perdida.
Mas quero ser honesta: nem todo caso precisa de cirurgia. Muitos pacientes que chegam ao consultório com diagnóstico de periodontite respondem muito bem ao tratamento não cirúrgico, desde que ele seja bem executado e que o paciente mantenha uma higiene adequada em casa.
Essa é uma pergunta que respondo com frequência. E a resposta direta é: a doença avança.
Sem tratamento, as bolsas periodontais ficam cada vez mais profundas, o osso de suporte vai sendo reabsorvido progressivamente e os dentes começam a apresentar mobilidade. Em estágio avançado, a extração se torna inevitável — não porque o dente está podre, mas porque não há mais base óssea para sustentá-lo.
A perda dentária por doença periodontal é, na verdade, uma das principais causas de edentulismo em adultos acima de 40 anos no Brasil. E o que me preocupa enquanto clínica que acompanha pacientes em Boituva há anos é que muita gente ainda chega ao consultório pensando que “perder dente faz parte do envelhecimento”. Não faz. Envelhecimento não é sinônimo de perda dentária. É sinônimo de acúmulo de histórico — e esse histórico pode ser de cuidado ou de negligência.
Uma coisa que precisa ficar clara: o tratamento periodontal não tem fim no sentido convencional da palavra. Diferente de uma cárie que você trata e resolve, a periodontite exige acompanhamento contínuo.
Após a fase ativa do tratamento, entra a fase de manutenção — consultas periódicas a cada três, quatro ou seis meses, dependendo do risco individual do paciente. Nessas consultas, fazemos nova sondagem, reavaliamos os tecidos, reforçamos a higiene e removemos qualquer depósito que tenha se formado no período.
Pacientes que mantêm essa rotina de manutenção têm resultados completamente diferentes daqueles que somem depois do tratamento e voltam dois anos depois. A diferença é visível nas imagens, no comportamento do osso, na estabilidade dos dentes.
Alguns sinais merecem atenção imediata:
Sangramento ao escovar ou usar fio dental. Mesmo que seja “só um pouquinho”, isso indica inflamação ativa.
Gengiva retraída. Quando os dentes parecem mais compridos do que antes, pode ser que a gengiva tenha recuado — e isso é perda de tecido.
Mau hálito persistente. O odor crônico muitas vezes tem origem na atividade bacteriana dentro das bolsas periodontais.
Sensibilidade nas raízes. Quando a gengiva retrai, a raiz fica exposta e fica sensível ao frio, ao calor, ao açúcar.
Dentes que parecem ter se mexido. Qualquer alteração no posicionamento dos dentes em adulto merece investigação periodontal.
Se você se identificou com algum desses sinais, o momento de buscar avaliação é agora — não depois que a mobilidade aparecer.
Na Felicity Odontologia Especializada, em Boituva, o tratamento periodontal começa pela escuta. Quero entender seu histórico de saúde geral, seus hábitos, o que você já fez ou deixou de fazer ao longo dos anos. Porque cada gengiva conta uma história — e essa história muda o protocolo.
Não existe tratamento padrão aqui. Existe diagnóstico individual, planejamento honesto e acompanhamento contínuo.
Se você quer entender melhor a saúde das suas gengivas ou já sabe que é hora de tratar, me chama no WhatsApp: (15) 93363-1757. Estou na Rua Manoel dos Santos Freire, 392, no Centro de Boituva, e ficaria muito feliz em conversar com você.
Dra. Juliana Matos de Andrade — CRO/SP 109085 | Felicity Odontologia Especializada
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